Eliel Benites, pertencente à etnia indígena Kaiowá, nasceu em 15 de junho de 1979, na Reserva Indígena Te’yikue, no município de Caarapó. Filho de Agripino Benites e Zenir Aquino, é um homem de identidade cultural sólida, trajetória inspiradora e atuação intelectual profundamente comprometida com seu povo. Casado com Maria Celina da Silva, é pai de quatro filhos, sendo também um exemplo de liderança familiar, comunitária e acadêmica.
Descendente de uma linhagem marcada por resistência e tradição, carrega em
sua história as raízes de seus avós paternos, que viveram na região de Ponta Porã, trabalhando na colheita de erva-mate
na histórica Companhia Mate Laranjeira, e
de seus avós maternos, oriundos da região do rio Paraná. Com o fim do ciclo
econômico da erva-mate, sua família estabeleceu-se definitivamente na Reserva
Indígena Te’yikue, consolidando ali sua história, cultura e identidade.
Sua infância foi vivida de forma autêntica, simples e profundamente
conectada à cultura Kaiowá. Cresceu em meio à natureza, aprendendo desde cedo
práticas tradicionais como a caça, a pesca, o cultivo da roça e o respeito aos
ciclos da vida. Sob a orientação de seus avós paternos, recebeu uma formação tradicional
rica e significativa, aprendendo valores essenciais como o respeito aos mais
velhos, a partilha, a responsabilidade familiar e a espiritualidade — elementos
que moldaram seu caráter ético, sensível e resiliente.
Iniciou sua vida escolar em 1985, na própria aldeia, e posteriormente deu
continuidade aos estudos em escolas da cidade de Caarapó, como a Escola
Estadual Cleuza Aparecida Vargas Galhardo, a Escola Estadual Cândido Lemes dos
Santos e a Escola Joaquim Alfredo Soares Vianna. Sua trajetória educacional foi
marcada por persistência, superação e um profundo desejo de conhecimento.
Sua carreira profissional teve início em 1997, quando se tornou professor
alfabetizador na língua Guarani, sendo um dos primeiros educadores indígenas da
aldeia — um marco significativo e pioneiro. Desde então, construiu uma
trajetória sólida, comprometida e transformadora na área da educação indígena.
Atuou como professor coordenador em projetos educacionais e na Escola Estadual
Indígena Yvy Poty, contribuindo de forma decisiva para a consolidação de uma
educação escolar indígena contextualizada, crítica e culturalmente valorizada.
Sua formação acadêmica é ampla, consistente e admirável. É formado pelo
Magistério Indígena Ára Verá (espaço-tempo iluminado), graduado em Licenciatura
Intercultural Indígena Teko Arandu pela Universidade
Federal da Grande Dourados, mestre em Educação pela Universidade Católica Dom Bosco e doutor em
Geografia pela mesma UFGD. Sua trajetória acadêmica revela um perfil
intelectual dedicado, crítico e profundamente comprometido com a produção de
conhecimento a partir das perspectivas indígenas.
Atualmente, é Professor e Pesquisador Adjunto na Faculdade Intercultural
Indígena (FAIND/UFGD), onde atua na formação de professores indígenas, com
ênfase no Ensino de Ciências da Natureza. Desenvolve pesquisas relevantes nas
áreas de Territórios, Educação Escolar Indígena, Cosmologias e Cinema Guarani e
Kaiowá, destacando-se como um intelectual sensível, inovador e engajado.
Além de sua atuação acadêmica, participa ativamente de importantes
movimentos e organizações indígenas, como a Associação de Realizadores
Indígenas (ASCURI), o Movimento dos Professores Guarani e Kaiowá (MPGK) e a Aty
Guasu, a grande assembleia do povo Guarani e Kaiowá, evidenciando seu compromisso
político, cultural e social.
Atualmente, exerce a função de Diretor do Departamento de Línguas e Memória
no Ministério dos Povos Indígenas,
desempenhando um papel estratégico, relevante e de grande responsabilidade na
valorização das línguas indígenas e na preservação da memória dos povos
originários.
A trajetória de Eliel Benites é marcada por superação, sabedoria e
compromisso coletivo. Homem de pensamento crítico, espírito comunitário e
identidade fortalecida, representa a força intelectual e cultural dos povos
indígenas. Sua vida é um testemunho inspirador de que, com oportunidade,
determinação e propósito, é possível transformar realidades e contribuir
significativamente para um mundo mais justo, plural e humano.